quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Estratégia Nacional em Ciência, Tecnologia e Inovação – ENCTI -2012 a 2015

 No dia 24 de outubro o Prof. Dr. Arquimedes Diógenes Ciloni, Subsecretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa da Secretaria Executiva do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), participou de uma mesa de discussão no Instituto de Química da Unicamp, parte do VI Fórum de Pós-Graduação em Química


 O Prof. Arquimedes Ciloni fez uma apresentação bastante interessante, intitulada: "Desafios da ciência básica e de ponta: o enfoque à luz da Estratégia Nacional em Ciência, Tecnologia e Inovação – ENCTI -2012 a 2015". Tentarei expor alguns dos principais pontos abordado durante a apresentação e também algumas questões levantadas pela audiência.


Introdução (ou dados interessantes) 

 Atualmente, o Deficit comercial brasileiro está em sua quase totalidade (80 %) concentrado em 5 setores:

  • Farmacêutico;
  • Equipamentos de rádio, TV e comunicação;
  • Instrumentos médicos de optica e precisão;
  • Produtos químicos;
  • Maquinas e equipamentos mecânicos;

 Dessa forma, é necessário que o Brasil cresça em competências nesses setores. Para se ter uma ideia, comparemos o preço de três diferentes tipos de mercadoria:

  • Circuitos integrados  US$ 848.871,43 / tonelada
  • Minério de ferro        US$39,58 / tonelada
  • Soja                          US$487,36 / tonelada
 Ou seja, para importar 1 tonelada de circuitos integrados o Brasil precisa exportar:
24.445 toneladas de minério de ferro
ou
1.742 toneladas de soja

A grande questão é: em que setor queremos atuar?



 O Brasil enfrenta hoje dois obstáculos a serem vencidos. Primeiro falta mão-de-obra especializada, segundo dados do MCTI o ano 2012 fechará com um deficit de 150 mil engenheiros sendo que atualmente, se formam aproximadamente 50 mil engenheiros por ano no Brasil (a China forma 400 mil engenheiros por ano; India, 250 mil; Rússia, 100 mil... portanto, perdemos feio para os demais BRICs)


 Segundo, falta de protagonismo nas empresas, que tem uma participação muito baixa no cenário de P&D no Brasil.


O resultado é que o Brasil tem destaque no cenário mundial de publicação cientifica, mas ainda é fraco no que diz respeito a inovação. A alteração desse cenário é importante para o futuro do País.


No que diz respeito a formação de mão-de-obra especializada, temos um dado alarmante.

Os números do Ensino Básico não permitem expansão do Ensino Superior (atingimos um limite?)

A saber (Censo da Ed. Básica 2009):

  • A relação entre o número de matrículas nos anos finais do ensino fundamental ( 14.409.910) e o de concluintes nessa etapa de ensino era de apenas 17% ( 2.473.073); 
  • Alunos matriculados no Ensino Médio: 8.337.160; concluintes: 1.797.434;
  • Alunos ingressantes no E Superior: 1.732.613; ou seja:
  •  dos quase 2,5 milhões de alunos que concluíram o e. fundamental e ingressaram no médio, apenas 1,8milhão terminou essa etapa;
  • Isso quer dizer que o ensino superior conseguiu atender a totalidade dos alunos que se formaram no ensino médio, já que o nº de ingressantes nas faculdades em 2009 foi de pouco mais de 1,7 milhão de alunos; entretanto, ficaram para trás mais de 80% de estudantes que nem chegaram ao ensino médio!

Considerações

  • O Brasil está ainda muito atrás da Ásia e das economias menos desenvolvidas da Europa em termos da média de anos de escolaridade da força de trabalho mais jovem;
  • A qualidade medida pelo desempenho de nossos estudantes em testes internacionais é consideravelmente inferior a de todos os países europeus;
  • Uma das consequências: as taxas de abandono escolar nos níveis médio e superior  continuam muito altas; mesmo para os que completam um curso universitário, o número de anos necessário para concluí-lo é maior, comparativamente (os jovens ingressam na universidade com um nível de aprendizagem bastante inferior ao dos estudantes de muitos países asiáticos e de todos os países desenvolvidos da OCDE);
  • Na pós-graduação, excelentes resultados: estamos formando mais de 12 mil doutores por ano ( isto nos coloca entre os 12 primeiros países do mundo ); problema: estaríamos contratando todos? Arrisco-me a dizer: claramente, não, principalmente na área de humanas! Não há vagas para todos nas Instituições de Ensino Superior públicas; muitos desses vão para a docência nas IES privadas, onde não encontram, na maioria das vezes, condições para se desenvolverem como pesquisadores. Nos países mais desenvolvidos, quem contrata são as empresas (especialmente engenheiros, ou oriundos das exatas), onde estão a maioria absoluta dos doutores gerados pelas universidades. O Brasil dá passos incipientes nessa direção, em velocidade ainda insuficiente para dar vazão aos formados.
  • temos, pois, doutores, mas falta ainda maior ênfase em inovação ( a iniciativa privada ainda vê o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação como de risco); necessário mudança de cultura.

Encerro por aqui a primeira parte da matéria. Acompanhe o Louco DQ??? (se inscreva nas opções de Feed e email na coluna esquerda, ou clique aqui para acompanhar). Na proxima parte, serão apresentados dados e explicações sobre o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), incluindo a metas e mecanismos. Por ultimo, serão apresentados dados do Ciência sem Fronteiras.

Todos os créditos vão ao Prof. Dr. Arquimedes Ciloni, meu papel é de mero apresentador.
Parabéns a comissão organizadora do VI Fórum de Pós-Graduação em Química,


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